Caminhos Paralelos
Nesse espaço virtual, como numa rua estreita iluminada pelo sol da tarde, muitos caminhavam juntos. Não havia destino certo, nem compromisso rígido — apenas a troca de palpites, a esperança compartilhada e aquele silêncio cúmplice que surge quando não é preciso explicar demais.
Alguns, mais inquietos, buscavam acelerar o passo: queriam estratégias, estatísticas, combinações. Outros, mais serenos, preferiam apenas acompanhar, sem guiar nem ser guiados. Era um acordo silencioso: não havia líder nem seguidor, apenas trajetos tentando coexistir no mesmo compasso.
Talvez todo participante pense isso em algum momento, ainda que não diga: “Não confie cegamente nas minhas deduções — posso não ter conhecimento suficiente.” E, em resposta invisível: “Não se incomode se eu não ajudar a desenvolver — posso não saber o bastante.” No fundo, o que se pede é simples e raro: caminhar ao lado, dividir ideias, respeitar o ritmo.
A vida, afinal, não é corrida nem desfile. É estrada compartilhada. E aqui, neste fórum, a amizade nasce menos da direção e mais da presença. Não importa tanto o prêmio ou o resultado, mas o fato de alguém estar ali, dividindo o percurso, os palpites, os silêncios e até as pausas.
Mas toda estrada tem desvios. Cada esquina carrega uma escolha, e nem sempre dois caminhos permanecem juntos por muito tempo. Às vezes um se afasta, outro segue, e o que era companhia vira lembrança. Não por falha, nem por ruptura — apenas porque a vida muda de rota.
Ainda assim, há algo de bonito nisso. Certas pessoas não caminham conosco até o fim, mas deixam marcas no trecho que compartilharam. E, quando pensamos bem, talvez seja esse o verdadeiro sentido da amizade aqui: não garantir permanência, mas tornar mais leve — e mais humano — o pedaço do caminho em que estivemos lado a lado.
O globo da sorte gira, a loteria é uma surpresa, mas aqueles com quem convivemos compartilhando esperança serão sempre lembrados com o carinho que merecem.